A Natureza é implacável!!!

O Rio de Janeiro
Continua lindo
O Rio de Janeiro
Continua sendo
O Rio de Janeiro
Fevereiro e março

Alô, alô, Realengo
Aquele Abraço!
Alô torcida do Flamengo
Aquele abraço

O trecho da música de Gilberto Gil, poderia hoje ser cantada com muita alegria se não fossem as tragédias que aconteceram no Rio de Janeiro com as enchentes e soterramentos em Nova Friburgo, Teresópolis e  cidades vizinhas. Consequentemente houve o falecimento de muitos moradores dessa região.

Ao conhecer o Rio, um amigo me disse que esse Estado é a síntese do que é o Brasil: Pessoas podre de ricas e pessoas miseráveis vivendo muito próximas. Em 10 minutos você sai de um bairro nobre e chega a uma favela. Sabemos que em muitos casos a ocupação de certas localidades desse Estado se deu de forma desorganizada. Culpa de péssimos governantes que há alguns séculos tentam separar a elite da plebe expulsando os pobres da capital que se obrigam a ocupar os morros. As cidades atingidas pelas enchentes não têm a ver com esse contexto histórico, porém, estão igualmente relacionadas ao fato de o ser humano desrespeitar a natureza.

Ora, são incontáveis os exemplos pelo mundo de catástrofes naturais em que a Patcha Mama mostra a sua força e prova que não deve ser desafiada. Durante a Revolução Industrial nós homens deixamos de ter uma relação harmoniosa com a natureza e passamos a vê-la como algo a ser derrotado. Sobre isso a professora Maria Stella Brescianni afirma que nessa luta, “atribuía-se aos engenhos astuciosos fabricados pelos homens – as máquinas com seus mecanismos irresistíveis e incansáveis – essa vitória na guerra com a rude natureza”. As máquinas nesse caso, eram o símbolo da vitória dos homens nesse embate. De lá para cá começamos a ver quem manda.

Uma vez o professor Nilson Fraga nos falou durante uma aula da especialização que os estudos sobre meteorologia no Brasil são muito recentes e que portanto, sabemos muito pouco sobre o que a natureza é capaz. Deveríamos ter estudado com os indígenas sobre a ocupação de determinadas regiões. Morar no morro pode deslizar, morar num vale pode alagar. É preciso bom senso das autoridades ao permitir a ocupação desses lugares, por isso é melhor prevenir do que remediar. Tenho chorado todos os dias ao ver as notícias de um verão terrível para as famílias afetadas pela maior catástrofe natural da história de nosso país.

Embora tenha acontecido tudo isso, “o Rio de Janeiro continua Lindo!

Published in: on 14 de janeiro de 2011 at 17:40  Comments (1)  

Lula: O pai do Brasil

Ao sair de um restaurante esta semana com minha esposa e meu filho, vi um homem de costas e comentei com minha esposa: “que hominho engraçadinho!” Curiosamente,  sem conhecer aquele indivíduo e nunca tê-lo visto, senti um carinho muito grande por ele. Se eu fosse homossexual poderia ser uma atração daquelas que Freud explica. Mas não sou gay, então como explicar esse sentimento?

Bom, o homem que vimos, tinha estatura de média para baixa, usava uma roupa nem muito social, nem muito esportiva, estava rodeado de colegas de empresa e aparentava ser uma pessoa bastante fraterna. Tinha uma barba esbranquiçada, era orelhudinho, tinha mais de cinquenta anos. Logo entendi que a simpatia que encontrei naquele ser era devida ao fato de ele se parecer com o Lula.

Praticamente toda minha vida adulta vivi governado por ele. Mas lembro muito bem de outros presidentes, tinha o Collor que era o bonitão, o Itamar Franco do topete e que gostava de fusca, o FHC que consolidou o Plano Real e… ah eu não gostava muito dele, ele é chato. Apesar de que quando eu estava na sétima série tenha me fantasiado de Fernando Henrique e que minha professora de história tenha o chamado de “Super Real”, que vergonha, eu nem precisava de nota, mas queria aparecer em um desfile da cidade, usei até um spray pra ficar grisalho. Se naquela época eu soubesse como ele seria lembrado no futuro, não teria desfilado. Deixa pra lá. É melhor falar da História mesmo e deixar de falar de mim.

Em 2002 Luís Inácio Lula da Silva, ou simplesmente Lula, foi eleito ainda sob olhares desconfiados da elite e de grupos mais conservadores, afinal se falava tanta bobagem. Por exemplo: Diziam que ele transformaria o Brasil em um país comunista mas não sabiam explicar o que era o comunismo. Fez um bom governo, conquistou a confiança do povo, deixou de agir como aquele simples operário dos anos 80 com a camisa aberta, o que permaneceu daquela época foi o espírito e alguns ideais.

Em 2006 foi novamente reeleito, e desta vez para conquistar o carinho do povo, para cair nos braços do povo e se tornar uma pessoa muito querida. Chamamos isso de populismo é verdade, mas ele melhorou as condições de vida das camadas populares bem como das elites. Ou seja, aquele que foi por um bom tempo visto como o bicho papão, passou a ser respeitado como um pai mesmo, em quem você pode confiar. Por isso ao cruzar com alguém no shopping, no ônibus ou no restaurante que se pareça com o ex-presidente e sentir simpatia por essa pessoa, não se sinta como um adolescente vendo Luan Santana, Fiuk ou Restart, é porque ele além de ser um simples filho do Brasil, assumiu o papel de “Pai do Brasil”.

Published in: on 8 de janeiro de 2011 at 16:49  Comments (1)  

O Direito à Preguiça

Nossa, quanto tempo sem postar. Mas não desisti não, apesar de ter lido o livro de Paul Lafargue O Diretio à preguiça, e gostado muito, estou dando um duro danado em minhas leituras. Pra se ter ideia nestas férias já li 5 livros e pelo jeito vou ter que postar sobre todos eles de uma vez só. Mas isso é em um futuro próximo.

Quanto à obra em questão posso dizer que desde o começo me interessou pelo fato de seu autor ser genro de Karl Marx. Em 1868 casou-se com Laura e em 1911 ambos cometeram suicídio “antes que a impiedosa velhice (…) acabe por paralisar minhas energias (…) fazendo de mim um peso para outros e para mim mesmo.”

Um manifesto irreverente no campo do pensamento socialista, O Direito à Preguiça celebra o ócio como força revolucionária que se contrapõe a uma ideia bastante professada entre os operários: o direito ao trabalho.

A obra valoriza o pensamento grego que podemos ver por exemplo em Aristóteles ao valorizar o ócio como essencial para que os cidadãos possam  exercer a política. É lógico que ele reconhece que o trabalho naquela sociedade era feito pelos escravos. Mesmo assim, nos alerta para esse pensamento que temos de que devemos trabalhar porque temos o direito ao trabalho. Precisaríamos nos adaptar à sua proposta, pois para ele, deveríamos trabalhar no máximo 3 horas por dia.

Encerro com um trecho do prefácio de Olgária Matos:

“O direito à preguiça consiste na antecipação da mais contemporânea das realidades: critica a ética da produção e do consumo, do cotidiano, da lógica do mercado e da indústria, da ciência  e da técnica em suas consequencias anti-humanas; recusa a moral tecnocrática e a economia subtraída ao controle humano. Lafargue foi um dos primeiros a romper com o caráter sadomasoquista da civilização contemporânea.”

E VIVA A PREGUIÇA!!!

Published in: on 31 de julho de 2010 at 15:21  Comments (3)  

GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA PÚBLICA

     Muito bem, já li mais um. Desta vez, resolvi fazer uma leitura influenciado nos estudos sobre Gramsci. O livro lido é sobre gestão democrática do autor Vitor Henrique Paro. Embora tenha sido escrito no final da década de 80, e portanto algumas coisas estejam desatualizadas, é importante para algumas reflexões. O autor é influenciado pelo marxismo que vigorava na academia da época e vive um momento em que o Brasil saía de uma ditadura.

     Ao ler os ensaios organizados nesse livro, parece que eu estava vendo alguém falando da escola em que trabalho à tarde. Gestão democrática tem a ver com a participação da comunidade nas decisões da escola e nesse sentido o autor destaca: ” Há pessoas trabalhando na escola, especialmente em postos de direção, que se dizem democratas apenas porque são ‘liberais’ com alunos, professores, funcionários ou pais, porque lhes ‘dão abertura’ ou ‘permitem’ que tomem parte desta ou daquela decisão.” Esse discurso não encobre o fato de que a participação aí não é democrática, pois ela não se dá nem concede. Nas palavras do autor “… democracia não se concede, se realiza.”  Ora, o que vemos infelizmente nas nossas ecolas são diretores que se sentem donos dela. Vitor H. Paro nos mostra que muitos diretores reclamam que se sentem pressionados pelas suas responsabilidades, porém, não deveria e nem precisa ser assim, uma vez que o poder deve ser de todos, as responsabilidades sobre as decisões devem ser divididas com a comunidade escolar através dos conselhos e órgãos colegiados. Com isso o diretor perderia o poder? Não. Pois esse poder não existe.

     Os diretores de escolas parece que sentem medo da comunidade, uma vez que ao invés de aproximar os pais, tentam afastá-los da escola. Percebo isso porque ao fazer parte de um corpo docente, não vejo os pais sendo convidados para reuniões regulares que não sejam entrega de boletim, não vejo a direção ouvir o que os pais têm a dizer, nem mesmo para participarem de eventos como jantares, festas ou uma apresentação de trabalho dos seus filhos. Ao contrário, os pais são chamados a comparecer na escola quando seus filhos estão dando problema. Sinceramente, quem gosta de ir à escola para ouvir reclamação de seus filhos, tudo bem que a família anda muito ausente na educação de nossas crianças, mas nem por isso devemos castigar os pais. Devemos sim, tornar a escola um lugar agradável e fazer com que todos os envolvidos sintam-a como sua e portanto responsáveis pelo bem estar de todos.

    Enfim, o que mais me chamou a atenção nesse livro  foi uma proposta de lei que o autor diz ter enviado ao congresso. A ideia que eu li há alguns dias e achei muito interessante, já circulava nos anos 80, a de que pais trabalhadores pudessem se ausentar de seu trabalho por algumas horas para participar das reuniões escolares. Meio dia em um mês de trabalho não representaria perda para o empregador, já que é pouco tempo. Se isso acontecesse seria uma grande conquista, importantíssima, porém as autoridades não parecem se interessar por isso, já que a educação da classe trabalhadora, não os interessa, além do mais a escola é um espaço de revoluções. Esperamos que isso não seja o fim da história. E antes de acabar já vou adiantando que o próximo livro é um clássico marxista e revolucionário: Direito à preguiça de Paul Lafargue.

Published in: on 11 de julho de 2010 at 11:33  Comments (4)  

Jornalista sabe de Tudo!

Para aqueles que estão na torcida, terminei mais um livro. Recentemente li o Guia Politicamente incorreto da História do Brasil, do jornalista curitibano Leandro Narloch. Posso dizer que foi importante para mim. Para eu reforçar o que estudei sobre história e para confirmar algo que meu amigo e compadre já havia observado: Jornalista é metido a saber de tudo, psicologia, política, esporte, cinema, filosofia, história, direito, economia, culinária, etc, etc, etc. Incrível, se tem uma dúvida procure um jornalista. Eles sabem mais que taxistas. É por isso que apoio o Dunga contra os jornalistas da globo.

O livro do Narloch serve como entretenimento, mas não como um livro de história, é um texto jornalístico embora utilize alguns historiadores que merecem ser observados. Ele diz que é pesquisa séria, mas em alguns casos, usa como referência, artigos de revista. É lógico que algumas das fontes que foram consultadas pelo autor são sérias e usadas pelos historiadores. O duro é que pessoas leigas lêem um livro desse e levam a sério. Ele desconstrói a história do Brasil com afirmações como: Santos Dumont não inventou o avião, Zumbi tinha escravos, quem mais matou índios foram os índios, os portugueses ensinaram os índios a preservar a floresta, e entre outras a de que os negros são culpados pela sua escravidão. Pelo amor dos deuses, é lógico que sabemos que os negros utilizavam a prática da escravidão em território africano, mas esse argumento serve para justificar a dominação dos brancos, uma história que se diz tão revolucionária volta ao passado de forma preconceituosa para colocar as vítimas como culpados.

Quanto suas afirmações citadas anteriormente, sabemos que a história é feita de versões e portanto, professores de verdade já não reproduzem os discursos dominantes, mas procuram através das fontes históricas mostrar que existem variadas formas de se interpretar a nossa história. Por exemplo: A tv cristalizou a imagem do D. João VI como um bobalhão mandado pela mulher, porém se utilizarmos as devidas fontes, podemos ver que ele teve suas qualidades e até afirmar que o seu governo foi um dos mais importantes da história do Brasil.

Enfim, não serei injusto com o jornalista uma vez que ele afirma no livro e no seu blog que não pretende ser neutro, o livro é imparcial e há um grande esforço no sentido contrário da história marxista que predominou nos anos 80 aqui no Brasil. Grande jogada de marketing, já que se ele fosse escrever uma história neutra teria meia dúzia de leitores. Livro polêmico, que joga fora anos de pesquisas feitas por historiadores de verdade.

Published in: on 22 de junho de 2010 at 16:58  Comments (4)  

Textos sobre Educação e Ensino

Estive pensando e decidi que mais uma forma de me comprometer com minhas leituras, sejam elas por obrigação (sim, às vezes somos obrigados) ou por simples lazer, é escrever no blog o que penso sobre as obras. Além disso, para algumas posso até fazer uma resenha e tê-las arquivadas. Dessa forma, sinto uma motivação a mais para as leituras.

Para começar, escolhi não por acaso o livro que acabei de ler: “Marx e Engels: Textos sobre Educação e Ensino”. Gosto muito de Marx e como diria minha professora Regina, “ele é meu autor-universo”. No caso da profe, o autor-universo dela é Antonio Gramsci. Parece que esses autores têm resposta pra tudo. Quando você tem uma dúvida, recorre a eles, quando começa a pensar em algo, lembra deles, parece uma maldição, mas é um caso de devoção. Aliás quando eu fazia especialização, aprendi a chamar Marx de “meu santo de devoção”. Também não posso exagerar, não me sinto tão marxista assim, existem muitos piores por aí.

Embora eu esteja envolvido com a educação, nunca tinha pensado nos textos do Marx ligados a ela. Porém, bisbilhotando na biblioteca de minha escola encontrei o livro em questão na parte sobre educação. Vai aí a referência: MARX, Karl. Textos sobre Educação e Ensino Tradução de Rubens Eduardo Frias, 4ª ed. São Paulo: Centauro, 2004.

Decidi ler e vi que vale a pena, uma vez que embora não seja uma obra produzida por ele voltada para a educação, mas sim um amontoado de textos retirados de todos os escritos  que temos dele. Trata de questões como sistema de ensino e divisão do trabalho, educação, formação e trabalho, ensino, ciência e ideologia, trabalho infantil e feminino e a educação da classe trabalhadora.

Engels nos mostra no texto 7 que “…vigiar as máquinas, reatar fios quebrados, não são atividades que exijam do operário algum esforço do pensamento, ainda que, por outro lado, impeçam que ocupe seu espírito em outra coisa”. Nesse sentido, é fácil dominar o operário, uma vez que lhe é tirada a capacidade de pensar e agir a não ser para operar uma máquina.

Também pode-se perceber na obra a preocupação deles com o ensino gratuito, a crítica que fazem ao ensino na época em que vivem, uma vez que as leis obrigavam os patrões a mandarem os menores à escola apenas 30 dias num período de seis meses, e enfim, eles mostram a educação como um modo de libertação das classes exploradas. A educação é uma prática revolucionária.

Published in: on 19 de maio de 2010 at 17:07  Comments (1)  

Pare O Mundo Que Eu Quero Descer

 Levando em consideração o que meus alunos têm se interessado no momento e um sonho que tive esta noite, resolvi escrever sobre isso, mas não pra dizer se acredito ou não, apenas quero refletir sobre nosso planeta, seus habitantes e a possibilidade de vida em outros. É isso mesmo, o tema é E.T.s. Para começar vai um trecho de uma música do Sérgio Reis:

 

Tomara que seja verdade que exista mesmo disco voador               
Que seja um povo inteligente pra trazer pra gente a paz, o amor
Se for por bem da humanidade que felicidade essa intervenção  
Aqui na terra só se pensa em guerra matar o vizinho é nossa intenção 
 

 

A ideia de que possa haver vida extraterrestre nunca foi algo que me despertasse tanto interesse, gostaria de ver coisas concretas e de fontes confiáveis para dar minha opinião. Mas não custa sonhar, se tivéssemos uma relação pacífica com os vizinhos, eles poderiam encontrar a solução para muitas doenças, para a organização política de nossa sociedade (uma sociedade mais evoluída que a capitalista), para as guerras, para a fome, etc.

Em meu sonho, uma pessoa promovia meu encontro com alienígenas no fundo do mar. Esses seres se pareciam mais com deuses egípcios, mas me revelariam alguns mistérios da humanidade e me proporcionariam um grande conhecimento. Nunca me imaginei tendo um sonho desses, mas foi muito legal. A busca pelo conhecimento deve ser algo constante em nossas vidas, nunca seremos sábios o suficiente, mas nem por isso devemos abandonar essa busca.

Infelizmente, muitas pessoas acham que sabem demais e não tem a humildade de Sócrates em dizer que pouco sabem. Em outras palavras, são alienados (Pessoa que não toma conhecimento dos problemas sociais e não tem consciência dos seus direitos). E nesse sentido, não faria diferença se a nossa terra de alienados fosse invadida por alienígenas. Se não fosse o fim, pelo menos seria o começo de uma nova história.

Published in: on 18 de abril de 2010 at 15:49  Comments (3)  

Entrudo

Na Cena de Carnaval, Jean Baptiste Debret registrou uma venda de limões de cheiro e de polvilho, no Rio de Janeiro da década de 1820. Esta foi uma das muitas cenas que esse pintor francês retratou da paisagem e da vida cotidiana brasileira.

Há muito tempo que as festas têm um caráter de inversão da ordem, é como se nos dias de festa, o mundo virasse de ponta cabeça (a ideia foi tirada daqui: história temática: diversidade cultural e conflitos, Montellato, Cabrini, Catelli. São Paulo: Scipione, 2000). Lembremos na Antiguidade das festas de Baco ou Dionísio, o carnaval na Idade Média e moderna até os dias atuais. Aqui no Brasil, a principal festividade em que se amenizam as diferenças é o carnaval.

        Essa festa tem origem na Roma antiga com as festas saturnálias que incluíam orgias em comemoração à colheita, mas o rei Momo é uma das representações de Dionísio, o deus do vinho e seu cultivo, o que nos leva até a Grécia Antiga. Tal festa não era bem vista pela igreja católica devido aos seus rituais de canto e dança que se constituíam em atos pecaminosos. Porém, em 590 d. C., o carnaval foi adotado pela igreja. Realmente essa é uma comemoração muito ligada ao cristianismo, uma vez que ela antecede os quarenta dias de quaresma, é um contraste com o período de abstinência que esse período exige. 

        No Brasil, ele foi trazido pelos portugueses com a festa do Entrudo. No entrudo, fabricavam-se limões-de-cheiro – bolas de cera cheias de água perfumada – com os quais se organizavam batalhas entre os passantes das ruas das cidades. Os negros substituíam o limão-de-cheiro (mais caro) por polvilho e água. Era comum, nesse dia, os negros vestirem-se com roupas típicas européias, fato proibido em circunstâncias normais. 
Já o batuque retrata a dança de roda praticada pelos negros escravos. Ao som de instrumentos de percussão, durante a dança ocorriam as “umbigadas”, quando a pessoa que está no centro da roda vai ser trocada por outra, o substituto leva uma umbigada do solista.
Outra forma popular de divertimento era dançar o lundu aos pares e acompanhado de violão. Os negros dançavam sem para noites inteiras, escolhendo por isso, de preferência, os sábados e as vésperas dos dias santos. Era também uma dança praticada pelos portugueses e assemelhava-se ao bolero dos espanhóis. Com o tempo, o carnaval foi crescendo e sendo festejado por mais pessoas no Brasil.

       Nem um décimo do povo participa hoje ativamente do carnaval— ao contrário do que ocorria em sua época de ouro, do fim do século XIX até a década de 1950. Entretanto, o carnaval brasileiro ainda é considerado um dos melhores do mundo, seja pelos turistas estrangeiros como por boa parte dos brasileiros, principalmente o público jovem que não alcançou a glória do carnaval verdadeiramente popular. Como declarou Luís da Câmara Cascudo, etnólogo, musicólogo e folclorista, “o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922 era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto”.

         É neste momento que vemos a negação de regras do dia a dia. Já no Brasil colonial podemos perceber isso, já que negros vestiam roupas dos europeus e as pessoas com mais condições dividiam comida com os pobres, fato que não era comum no cotidiano da colônia e continuaria a ser praticado na época do império. Atualmente, carnaval para muitos é sinônimo de mulher pelada e sexo fácil. Para outros, época de bebedeira. Há os que conseguem conciliar as duas coisas. Existem os que não gostam, (e não são poucos!) mas querem o feriado. Fato é, que ainda hoje, ocorre uma inversão da ordem, já que ricos e pobres se misturam numa festa só, negros são valorizados, a favela ganha o seu glamour com as escolas de samba, o futebol é deixado de lado por alguns dias e os homens adoram se vestir de mulher. Sobre este último, nunca vi, se produzem mesmo, com vestido, maquiagem, salto alto, etc. Mas enfim, tudo é festa, não é o fim da história, agora é que o ano começa de verdade, festejemos com responsabilidade.

Published in: on 15 de fevereiro de 2010 at 14:41  Comments (1)  

Máquina do Tempo

A Persistência da Memória, Salvador Dalí

Se você tivesse uma máquina do tempo, não os aparelhos usados pelo serviço de meteorologia, mas uma máquina que te fizesse viajar pelo tempo, para onde iria?                                                                                                             Viagem no tempo se refere ao conceito de mover-se para trás e para frente através de pontos diferentes no tempo, em um modo análogo à mobilidade pelo espaço. Algumas interpretações de viagem no tempo sugerem a possibilidade de viajar através de realidades paralelas. A possibilidade real de uma viagem no tempo é, hoje em dia, praticamente nula do ponto de vista prático, devido ao fato de que as partes responsáveis pela descoberta de meios para se efetuar uma viagem temporal não terem conseguido ainda produzir a tecnologia capaz de possibilitar a viagem.          O conceito é constantemente abordado na ficção-científica, sendo que o mais famoso autor de obras sobre o tema é H. G. Wells.”

Já há quem diga que as viagens através do tempo estão muito próximas de se tornarem possíveis: Viagem no tempo.

Bom, minha intenção não é discutir a Teoria da Relatividade, o que quero é lembrar que muitos de nós em nossos sonhos, imaginamos como seria interessante voltar ao passado. E na época de escola até nos vemos em algum momento distante (muitos estudantes ficam longe mesmo).

Particularmente, eu gostaria de voltar à Europa do século XV, Expansão Marítima, Reforma Protestante e principalmente, o Renascimento. Grandes acontecimentos que mudariam o futuro da humanidade, quantos homens importantes: Martinho Lutero, João Calvino, Cristóvão Colombo, Bartolomeu Dias, Fernão de Magalhães, Vasco da Gama, as tartarugas ninja (Rafael, Leonardo, Donatello, Michelângelo) e tantos outros. Bem dizem que os grandes feitos não foram obra de um grande gênio, mas sim de uma panelinha intelectual ou de pessoas inquietas perante a sua realidade. É lógico que para lá eu levaria comigo a minha esposa e meus grandes amigos de viagem daqui do sul do mundo. Quem sabe nós pudéssemos colher algumas migalhas do saber e a coragem daqueles homens para desfrutar em nossa época. Hã?

Published in: on 19 de janeiro de 2010 at 18:10  Comments (5)  

Toda a História

Lembro que na época da faculdade de história, lá pelos idos de 2004, tínhamos uma disciplina chamada Laboratório de história, na qual teríamos que criar um livro didático. A professora, uma senhora de uns cem anos tentava nos motivar na empreitada dizendo que muita gente estava ganhando dinheiro nesse ramo. Foi quando meu colega Dariva teve a brilhante ideia de criar um livro chamado “Toda a História”. A professora ficou louca e o chamou de megalomaníaco, pois qualquer pessoa interessada em história sabe que é impossível tratar de toda ela em um livro, além do mais ela é feita sob diferentes olhares e interpretações. Muitos fatos e personagens não aparecem nos livros. O detalhe é que esse livro já existe: Toda a história. Infelizmente existem outros megalomaníacos por aí. Talvez um dia eu publique o meu livro sobre “O fim da história”.

Published in: on 15 de janeiro de 2010 at 06:26  Deixe um comentário